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A Imagem no Ambiente de Trabalho

  • 25 de jan. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de jan. de 2024



A gente vai em busca de um emprego seja que porque é o emprego dos nossos sonhos, ou porque é como a gente gostaria de se ver e se apresentar para o mundo ou simplesmente porque precisamos de dinheiro para levar a vida. Qualquer que seja o motivo, nos dias de hoje a gente se preocupa com nossa imagem desde a entrevista. "Como o entrevistador vai me ver?", "quais serão os pontos positivos que irei apresentar e quais negativos precisarei esconder?". Isso acontece nos dias de hoje especialmente porque vivemos em uma época em que o olhar do outro faz muita diferença sobre sua posição na sociedade.


Antigamente, talvez ali em 1950, se você tivesse um perfil técnico suficiente para trabalhar em uma fábrica, por exemplo, você não precisaria apresentar outras habilidades para ser aceito no trabalho. Nos dias de hoje isso mudou a ponto de existirem consultorias que te ensinam a como se portar em uma entrevista de emprego.


Nesse mundo que a gente deve estar sempre se apresentando e mostrando nossas capacidades, às vezes a gente se mistura com as expectativas e chega a se esquecer de quem é. Depois de contratados, os sonhos continuam, e a preocupação com a imagem que transmitimos também. Em qual profissão hoje está tudo bem não ter expectativas de crescimento no desemprenho ou de cargo? Essas profissões certamente existem, mas estão defasadas no mundo coorporativo. E está tudo bem quando os nossos valores são parecidos com o da empresa ou se a gente faz o que gosta, com uma equipe legal, mas nem sempre a balança pesa mais para esse lado e no melhor dos mundos, nem todos os dias. Às vezes inclusive, esteve tudo bem por muitos anos, mas chega um momento em que aquela posição, aquele espaço já não agrada tanto, já não motivam nem dão tanto prazer.


E aí, como lidar com o não responder às expectativas dos outros ou de si mesmo quando se está desmotivado? Muitas pessoas, por razões importantes, continuam insistindo em continuar tentando estar ali, da mesma forma, com a mesma performance de antes ou mais. E aí acontece a frustração, a culpa, um sentimento talvez inclusive de incompetência ou, também como possibilidade, o trabalho passa a ser visto como odioso. O que antes não se notava ou não fazia tanta diferença, agora é motivo de ficar um tempo na cama antes de dormir tentando superar o quão chato é aquele lugar em que estamos.


Aqui pode entrar a ansiedade. Por não saber lidar com tantas exigências ou por se dedicar tanto para cumprir com suas próprias expectativas e dos demais que acaba deixando de lado outros assuntos importantes da vida. Por uma incapacidade de encontrar um espaço de descanso em que não esteja se projetando no trabalho. E aí o corpo pode acabar apresentando os sintomas de ansiedade. Tem um psicólogo e escritor chamado Alexandre Coimbra Amaral que em uma entrevista uma vez disse que a questão não é "Quem terá Burnout?" mas sim "Quando". Porque o ritmo frenético dessa busca incessante de satisfazer as expectativas de si e do mundo não dá espaço para as fragilidades, para as fraquezas.

 

É comum que aconteçam questionamentos sobre nossas escolhas, sobre nossa profissão, sobre se manter no ambiente ou não. É positivo ter dúvidas, revisitar possibilidades sejam elas para se manter no ambiente ou para trocar.  Às vezes a gente toma decisões, quando já estamos esgotados, num ato impulsivo, e ele pode resultar como positivo muitas vezes, mas também pode acarretar em culpas e arrependimentos. As vezes a decisão vem dos outros e podemos ser demitidos... Independente da terapia, quando a gente fala de trabalho, a gente sempre pensa em independência financeira e esse lugar pode se tornar um lugar de isolamento (seja de meta, de atividades ou de pessoas). Nesse sentido eu sempre me lembro do que professor meu me falava sobre o quanto a autonomia está vinculada à rede. Ser autônomo é diferente de ser independente. E a autonomia acontece quando temos uma rede que possa dar suporte caso tenhamos que cortar ou costurar algum fio. Se esse fio que precisa ser costurado é o do trabalho, é bom ter outras atividades, pessoas, encontros que possam dar suporte enquanto esse fio vai sendo novamente "tecido".

 

Nesse lugar, a terapia ajuda a gente ter um reencontro com a gente mesmo, se questiona sobre como é para cada um a questão da "imagem" e do "olhar do outro" dentro desse mundo que também nos transforma a todo tempo.

 
 

Psicóloga  Bruna de Melo Scardelato - CRP: 06/192175

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