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Imigrantes e a arte de conversar

  • 12 de mar. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de mar. de 2024




Tenho uma filha de quatro anos que quando eu digo algo pra ela que ela não entende me responde: "Eu não estou te ouvindo". Mesmo na língua materna a temos diferentes vivências, histórias e percepções que, na comunicação, que fazem com que a compreensão das coisas ditas seja única.



Essa é uma questão que atravessa a nossa existência. Mesmo quando estamos nos comunicando na língua nativa, existem momentos em que nos faltam palavras para expressar o que queremos dizer.


Trazendo um pouco o texto para o pensamento da abordagem filosófica (e psicológica) existencial, essa é uma das nossas condições humanas de existência, e com "condição humana de existência", quero dizer que é inevitável. É inevitável que haverá momentos em que não compreenderemos exatamente o que a outra pessoa gostaria e vice-versa. É inevitável que haverão momentos que não conseguiremos traduzir em palavras.


Quando vamos para outro país em que a língua é diferente, a dificuldade de nos expressar, e ouvir, de maneira que seja suficiente para o entendimento do outro e nosso, pode se tornar uma questão recorrente.


Algo que nos ajuda a chegar mais próximo daquilo que gostaríamos de dizer quando nos faltam as palavras (nativas ou extrangeiras), está nas artes: músicas, filmes, livros, séries, etc..Muitos dessas obras, tocam a gente em certos momentos de nossas vidas justamente porque expressam algo parecido com nossos desejos, nossa história, podem dar sentido às nossas reflexões, entre tantas possibilidades.


Para quem está vivendo em um país em que a língua é outra, músicas, filmes, livros, podem ser um aconchego. Ouvir a música do nosso país, pode trazer aquela saudade quentinha, por exemplo. A arte também é uma possibilidade de compreender melhor o país e as pessoas com quem o imigrante passou a se relacionar. Buscar referências culturais do lugar em que se passou a habitar, pode ser um refresco no esforço da tentativa de tentar entender como "eles são".


Assisti um filme (romance) recentemente "Vidas Passadas". Um filme que conta a

história de uma imigrante Nele, uma das pessoas que vai emigrar ao ser questionada sobre o que deixaria para trás, responde que algo sempre fica pra trás mas não há dúvida de que outras coisas se ganham. Pode ser complicado entender e se fazer entendido. Isso pode ser cansativo, exaustivo as vezes. Mas sem dúvida, depois de um tempo, relacionando-se com quem está ao redor, a gente enriquece nosso vocabulário e também nossa história.

 
 

Psicóloga  Bruna de Melo Scardelato - CRP: 06/192175

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