Excesso de Trabalho
- 18 de mar. de 2024
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Já imaginou o mundo do trabalho sem funcionalidade? Somos cobrados a todo momento para otimizarmos o tempo, espaço e nosso modo de trabalhar para que possamos fazer uma entrega eficiente de resultados. Isso parece lógico e inevitável no mundo em que vivemos hoje em dia, não é verdade?
O filósofo Byung-Chul Han faz uma provocação em seu livro "Vida Contemplativa" dizendo que " é possível que o homem do futuro acabe abolindo o sono e os sonhos porque não lhe parecerão eficientes."
Nós, meros mortais e trabalhadores, entramos nessa roda frenética do mundo muitas vezes porque gostamos da agitação e outras vezes porque não temos (ou não vemos) outra opção no nosso campo de possibilidades.
Muitos trabalham incessantemente porque precisam sobreviver. Vão ter 2 ou 3 empregos para colocar comida na mesa, por exemplo. Esse é seu caso? Tem gente que não precisa ter 2 ou 3 empregos mas um exaure o suficiente para que diga "eu não vivo, sobrevivo". O fato do "sobreviver" no trabalho faz parar pra pensar o quão mecânico esse trabalho pode estar sendo, melhor dizendo, qual o seu pedaço de humanidade que se inclui no seu trabalho?
Existe algo que você faz no trabalho sem razão ou função específica? E fora dele?
Como é seu café da manhã e seu almoço? Você come contemplando a comida e ela te leva pra algum lugar do mundo ou da sua memória? Ou come para saciar sua fome e cumprir os requisitos nutricionais necessários para viver?
Você é uma pessoa super determinada e apressada ou existe espaço pra dúvida? Existe um tempo para questionar aquilo que você faz tão rapidamente e já está no "automático"?
Parar e olhar sua relação com o trabalho é um caminho para poder perceber quais excessos foram impostos por você e pelos outros em função da eficiência e que podem estar provocando sofrimento.
Não é que sua relação com o trabalho tenha que ser perfeita. Mas existem momentos no seu cotidiano que te fazem bem? Existe tempo de contemplar-los? Não existe um manual de "como reduzir a carga de trabalho" mas refletir sobre como você se relaciona com ela é uma possibilidade para abrir novas formas de lidar com ela.
Quem não tem uma rotina de trabalho fechada, como é o caso de trabalhadores da saúde, hotelaria e aviação, por exemplo, podem ter mais dificuldade de encontrar uma pausa. Não falo daquela pausa funcional e necessária para se reestabelecer e continuar produzindo...mas aquela pausa sem sentido de funcionalidade, um apenas desfrutar. Trabalhadores que fazem Home Office podem sofrer com a falta de cotidiano também, não é verdade?
E você? Como andam suas relações com o trabalho? E com seus colegas? Existem momentos sem um "sentido funcional?"
Na psicoterapia a insatisfação com o trabalho, e seus excessos, pode chegar como queixa de diversas formas. De maneira geral ela vêm acompanhada de angústia.
Dentro da fenomenologia existencial a angústia é aquele estranhamento que sentimos em relação a algo. Aquilo que nos mostra que não somos quadrados (como os Legos) e nos encaixamos perfeitamente em outras coisas. É com esse estranhamento que vamos nos dando conta de que nem tudo faz sentido na vida 100% eficiente.
Já pensou em uma vida sem sono e sem sonhos só porque no futuro encontraram um medicamento que resolveria o "problema"?


